

Responda rápido: você aceitaria um convite para ser diretor de Tesouro do Estado brasileiro com o mais baixo nível de investimento entre todos os Estados da Federação, a maior despesa com pessoal e os maiores gastos com inativos, além do maior endividamento de sua história? Se você disse sim, é bem provável que você tenha a mesma coragem e determinação que Mateus revelou ter, no início de 2007, quando deixou de ser assessor técnico do senador Aloizio Mercadante, então Líder do Governo no Senado Federal, para assumir o cargo no Rio Grande do Sul.
Em sua terra natal, Mateus deparou-se com um déficit projetado de 2,4 bilhões de reais e 1,5 bilhão de reais de dívidas no curto prazo. Não havia dinheiro em caixa e o Estado perderia, a partir de 2007, 700 milhões de reais em receita em função da redução das alíquotas de ICMS. "A saída foi trabalhar com o conceito de duplo planejamento, resolvendo o hoje e o amanhã, mas sem deixar de pensar no longo prazo", explica Mateus, que tem uma equipe direta de cerca de 20 pessoas, com mais 300 subordinadas a elas.
Para conseguir alcançar o equilíbrio financeiro e dar capacidade de investimento ao Estado, foi preciso implementar uma série de medidas, entre elas um profundo corte nos gastos públicos, de mais de 300 milhões de reais, e ações focadas na modernização da gestão e na reforma da previdência. "Felizmente conseguimos construir no Governo um consenso de que o ajuste era para valer e que tinha que acontecer rápido e com medidas perenes, e não extraordinárias", diz Mateus.
Os resultados já começaram a aparecer. O déficit projetado de 2,4 bilhões de reais para 2007 foi reduzido pela metade, e está sendo praticamente zerado em 2008. "Aprovamos a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), em um acordo entre todos os Poderes do Estado, estabelencendo, entre outras premissas, o congelamento de todas as despesas de custeio por mais um ano", revela Mateus. "Assim, o Projeto de Lei Orçamentária para 2009 enviado para a Assembléia Legislativa estabelece déficit zero, com investimentos de cerca de 1,3 bilhão de reais."
Bolsista da Fundação Estudar, Mateus acredita que seus dois anos de MBA na Wharton contribuíram muito para que ele pudesse encarar desafios como os que encontrou no Tesouro. "Além de contar com toda a tradição de Wharton na área de finanças, lá tive a oportunidade de estudar modelos de previdência e privatizações de países como Chile e Estados Unidos."
Mesmo depois de ter feito estágios de férias em empresas do setor privado – Telemar, AL e GP Investimentos –, Mateus manteve-se firme em seu propósito de continuar atuando na área pública assim que terminasse o MBA. Assumiu em 2004 uma posição de coordenador-geral na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Lá participou, até 2006, de diversos grupos interministeriais dedicados à formulação de políticas públicas e iniciativas de melhoria do processo de ajuste fiscal de longo prazo. De volta ao RS, após um ano e meio como Diretor do Tesouro Estadual, Mateus foi nomeado, pela Governadora, Secretário de Estado de Planejamento e Gestão, cargo que ocupa desde agosto de 2008.
Última atualização: novembro/2008
