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Um diálogo pela boa educação pública

26/10/2011

Guiomar Namo de Mello fala da sua história como interlocutora entre a visão dos pedagogos e a dos economistas

por Ivan Oliveira

A pedagoga Guiomar Namo de Mello

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Em educação, dificilmente vamos encontrar uma pessoa que seja, sozinha, responsável por uma ruptura. É algo muito grande e envolve muita gente. Pelo menos essa é a opinião da pedagoga Guiomar Namo de Mello, reconhecida como referência no estudo da educação como política pública. Suas idéias e considerações a respeito da importância de boas políticas públicas voltadas à melhoria na educação foram ouvidas pela Comunidade Estudar em edição do Transformadores Brasileiros, que dessa vez aconteceu na Casa das Rosas.

“Talvez eu seja representante de peso de uma geração que é muito maior do que eu. Educação é um trabalho de formiguinhas e de gerações”, diz Guiomar, explicitando sua visão de que nenhuma ação que tenha como alvo a educação será realizada de maneira eficiente em curto prazo. De origem humilde – foi a única de sua família que estudou, graças a uma bolsa de estudos na escola metodista de Piracicaba –, Guiomar logo cedo percebeu a importância da instituição Escola na vida das pessoas: “a democracia não vai existir sem a sua principal fábrica, a escola pública. Desde o início pensei muito em política educacional, me dedicando a ver a educação do ponto vista maior, não apenas do da sala de aula.”

Com experiência acumulada em cargos importantes, como o de Secretária de Educação do Município e Presidente da Comissão de Educação do Estado de São Paulo, Guiomar sabe que unir intuito pedagógico, vontade política e competência gerencial não é nada fácil. “Há coisas que são admiráveis, mas não podem virar política”, explica, ressaltando a necessidade de um diálogo mais produtivo entre economistas/administradores e educadores: “É pequeno o grupo capaz de fazer essa importante interlocução. Hoje, uma coisa que está aproximando esses dois campos é o e-Learning, porque é uma área em que os administradores precisam entender de aprendizagem e do estatuto epistemológico daquilo que é aprendido; não se aprende Sociologia do mesmo jeito que se aprende Química”, exemplifica a pedagoga.

O problema da formação do professor no Brasil

Centrada em observar as raízes do sistema educacional brasileiro e sua atual configuração, Guiomar credita à má formação dos professores um problema maior do que a falta de acesso à escola e demais condições de infra-estrutura. Para ela, o investimento em recursos humanos no setor deve ser urgente e imediato, a começar pela formação dos educadores: “É preciso investir no professor do futuro e no professor de agora, são estratégias diferentes. Mas ambas são necessárias.”

Sua crítica vem de uma investigação que remonta a história da formação dos professores no Brasil. “Criou-se essa estrutura de bacharelado e licenciatura, em que você fica 3 anos para aprender o conteúdo e 1 ano para aprender como ensiná-lo. Ou seja, a separação entre teoria e prática já existe desde a sua formação.”

Veja também em vídeo um pouco do que contou a Guiomar: